
1. Introdução e Epidemiologia
A sepse é uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo. Nas últimas décadas, sua incidência aumentou, em parte devido ao envelhecimento populacional, ao maior uso de terapias imunossupressoras e à disseminação de microrganismos multirresistentes. Simultaneamente, a mortalidade vem diminuindo gradualmente, graças à implementação de protocolos padronizados e à melhoria dos cuidados intensivos.
Dados epidemiológicos relevantes:
- Incidência global estimada: 48,9 milhões de casos (2017), com 11 milhões de mortes (19,7% de todas as mortes no mundo).
- Nos EUA, a sepse responde por aproximadamente 6% das internações hospitalares.
- Pacientes com idade ≥65 anos representam 60–85% dos episódios.
- Agentes mais comuns: bactérias Grampositivas (ex.: Staphylococcus aureus), seguidas por Gramnegativas; fungos vêm aumentando; vírus (influenza, SARSCoV2, etc.) são causas subdiagnosticadas.
- Em cerca de 50% dos casos, a cultura é negativa (sepse culturanegativa).
2. Definições Atuais (Sepsis3)
As definições propostas pela Society of Critical Care Medicine (SCCM) e European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) em 2016 (Sepsis3) substituíram os conceitos anteriores de SIRS e sepse grave.
2.1 Sepse
Disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção.
O diagnóstico é confirmado por um aumento agudo ≥2 pontos no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) em relação ao valor basal presumido. Esse aumento está associado a uma mortalidade intrahospitalar ≥10%.
2.2 Choque Séptico
Subconjunto da sepse com anormalidades circulatórias, celulares e metabólicas profundas, associadas a maior risco de mortalidade.
Critérios clínicos (devem estar todos presentes):
- Necessidade de vasopressores para manter a Pressão Arterial Média (PAM) ≥65 mmHg após ressuscitação volêmica adequada;
- Lactato sérico ≥2 mmol/L (>18 mg/dL).
A mortalidade associada ao choque séptico é ≥40%.
2.3 Outros Conceitos
- Infecção: invasão de tecidos normalmente estéreis por microrganismos.
- Bacteremia: presença de bactérias viáveis no sangue.
- SIRS (Systemic Inflammatory Response Syndrome): síndrome inflamatória sistêmica que pode ocorrer tanto em infecções quanto em condições não infecciosas (pancreatite, trauma, etc.). Não é mais utilizada para definir sepse, mas ainda aparece em registros administrativos (CMS).
- MODS (Multiple Organ Dysfunction Syndrome): disfunção progressiva de múltiplos órgãos em paciente gravemente enfermo, podendo ser primária (relacionada diretamente ao insulto) ou secundária (resposta desregulada do hospedeiro).
3. Fisiopatologia: O Papel Central do Endotélio
A sepse desencadeia uma cascata complexa de respostas pró e antiinflamatórias. O elemento central é o endotélio vascular, cuja integridade é essencial para a homeostase.
3.1 Glicocálix Endotelial
- Camada de proteoglicanos e glicoproteínas que reveste o endotélio.
- Regula a permeabilidade vascular, adesão leucocitária e fluxo sanguíneo.
- Na sepse, toxinas bacterianas e mediadores inflamatórios (espécies reativas de oxigênio, proteases) causam “shedding” (descamação) do glicocálix.
- Consequências: aumento da permeabilidade capilar, edema intersticial, má distribuição do fluxo microcirculatório e hipoperfusão tecidual.
3.2 Imunoparalisia
- Em alguns pacientes, após uma fase inicial hiperinflamatória, instalase um estado de supressão imune.
- Caracterizada por baixa expressão de HLADR em monócitos (mHLADR) e incapacidade de produzir citocinas próinflamatórias.
- Predispõe a infecções secundárias e aumenta a mortalidade.
4. Fatores de Risco
Os principais fatores associados ao desenvolvimento e à pior evolução da sepse incluem:
- Idade avançada (≥65 anos)
- Imunossupressão (neoplasias, quimioterapia, AIDS, insuficiência hepática ou renal, uso de corticoides/ imunossupressores)
- Diabetes mellitus e obesidade
- Internação em UTI ou hospitalização recente (especialmente por infecção)
- Bacteremia documentada
- Pneumonia adquirida na comunidade
- Procedimentos invasivos (cateteres venosos centrais, sondas, ventilação mecânica)
- Uso prévio de antibióticos (nos últimos 90 dias) – aumenta risco de infecção por microrganismos multirresistentes
- Fatores genéticos – polimorfismos que afetam o reconhecimento de patógenos
5. Triagem, Diagnóstico e Avaliação Inicial
O reconhecimento precoce é o principal determinante da sobrevida. A abordagem deve ser rápida e sistemática.
5.1 Ferramentas de Triagem
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Ferramenta |
Componentes |
Sensibilidade |
Recomendação SSC 2021 |
|
NEWS (National Early Warning Score) |
Frequência respiratória, SpO₂, Pressão arterial, Frequência cardíaca, Nível de consciência, Temperatura |
Alta |
Recomendado (preferível) |
|
SIRS |
Temperatura, FC, FR, leucócitos |
Alta |
Útil para triagem inicial, mas inespecífico |
|
qSOFA |
FR ≥22, PAS ≤100, alteração mental |
Baixa |
Contraindicado como ferramenta única |
NEWS (escore agregado):
- 0–4: baixo risco
- 5–6: risco moderado
- 7 ou mais: alto risco (aciona resposta imediata)
qSOFA (≥2 pontos) identifica pacientes com maior risco de desfecho desfavorável, mas sua baixa sensibilidade faz com que muitos casos de sepse não sejam detectados na triagem inicial.
5.2 Critérios Diagnósticos: Escore SOFA
O diagnóstico de sepse é confirmado por um aumento agudo ≥2 pontos no escore SOFA em relação ao basal. O escore avalia seis sistemas:
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Sistema |
Parâmetro |
Pontuação 0 |
1 |
2 |
3 |
4 |
|
Respiratório |
PaO₂/FiO₂ (mmHg) |
≥400 |
<400 |
<300 |
<200 (com suporte) |
<100 (com suporte) |
|
Coagulação |
Plaquetas (×10³/µL) |
≥150 |
<150 |
<100 |
<50 |
<20 |
|
Hepático |
Bilirrubina (mg/dL) |
<1,2 |
1,2–1,9 |
2,0–5,9 |
6,0–11,9 |
>12,0 |
|
Cardiovascular |
PAM / vasopressores |
≥70 |
<70 |
Dopamina ≤5 ou dobutamina |
Dopamina >5 ou epi ≤0,1 ou nor ≤0,1 |
Dopamina >15 ou epi >0,1 ou nor >0,1 |
|
Neurológico |
Escala de Glasgow |
15 |
13–14 |
10–12 |
6–9 |
<6 |
|
Renal |
Creatinina (mg/dL) ou débito urinário |
<1,2 |
1,2–1,9 |
2,0–3,4 |
3,5–4,9 ou <500 mL/dia |
>5,0 ou <200 mL/dia |
5.3 Papel do Lactato
- Deve ser medido em todo adulto com suspeita de sepse.
- Níveis elevados indicam hipoperfusão tecidual e estão associados a pior prognóstico.
- Lactato ≥2 mmol/L após ressuscitação volêmica adequada define choque séptico.
- Importante: interpretar o lactato no contexto clínico (disfunção hepática, drogas, etc.); não é um marcador exclusivo de sepse.
5.4 Exames Complementares
- Hemograma: leucocitose (>12.000/µL) ou leucopenia (<4.000/µL), desvio à esquerda.
- Coagulograma: TAP, TTPA, plaquetas – avaliar sinais de CIVD.
- Função renal e hepática: creatinina, bilirrubinas.
- Glicemia: hiperglicemia (>140 mg/dL) é comum mesmo em não diabéticos.
- Procalcitonina (PCT): níveis elevados sugerem infecção bacteriana, mas não devem ser usados isoladamente para iniciar antibióticos; útil para desescalonamento.
- Culturas: sangue, urina, secreções, líquor, etc. Devem ser coletadas antes da primeira dose de antibiótico sempre que possível.
- Imagem: radiografia de tórax, ultrassonografia, tomografia computadorizada conforme suspeita de foco.
6. Manejo Inicial e Ressuscitação (SSC 2021)
A Surviving Sepsis Campaign (SSC) 2021 consolidou as principais recomendações baseadas em evidências. O tratamento deve ser iniciado imediatamente após o reconhecimento, pois cada hora de atraso aumenta linearmente a mortalidade.
6.1 Terapia Antimicrobiana
Princípios fundamentais:
- Horário: no choque séptico, administrar dentro de 1 hora após o reconhecimento. Nos casos de sepse sem choque, iniciar em até 3 horas após a suspeita.
- Espectro: empírico, de amplo espectro, considerando os fatores de risco para multirresistência (MRSA, Pseudomonas, Candida).
- Dose: usar dose de ataque (loading dose) para garantir níveis terapêuticos precoces. Para betalactâmicos, preferir infusão prolongada após o bolus inicial, maximizando o tempo acima da concentração inibitória mínima (T>MIC).
- Controle de foco: drenagem de abscessos, desbridamento de tecidos necrosados, remoção de cateteres suspeitos – deve ser realizado assim que clinicamente e logisticamente possível (idealmente <6–12 horas).
- Desescalonamento: reavaliar diariamente a necessidade de antibióticos, reduzir espectro conforme resultados de culturas e considerar suspensão precoce (cursos de 7 dias são geralmente suficientes). A procalcitonina pode auxiliar na decisão de interromper.
Fatores de risco para patógenos multirresistentes (MDR):
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Patógeno |
Fatores de risco |
|
MRSA |
Infecção prévia por MRSA, hemodiálise, cateter venoso central, uso recente de antibióticos, internação prolongada |
|
P. aeruginosa |
Bronquiectasias, neutropenia, corticoides prolongados, internação em UTI, ventilação mecânica |
|
Candida spp. |
Imunossupressão, nutrição parenteral total, cirurgia abdominal recente, antibióticos de amplo espectro por tempo prolongado |
6.2 Ressuscitação Volêmica
- Tipo de fluido: cristaloides balanceados (Ringer lactato, PlasmaLyte) são preferíveis ao soro fisiológico 0,9% para evitar acidose hiperclorêmica e lesão renal aguda (recomendação forte).
- Volume inicial: administrar pelo menos 30 mL/kg nas primeiras 3 horas (recomendação fraca, baixa qualidade de evidência). Esse volume deve ser ajustado individualmente conforme a resposta.
- Albumina: sugerida em pacientes que necessitam de grandes volumes de cristaloides (recomendação fraca, evidência moderada).
- Monitorização dinâmica: abandonar parâmetros estáticos (pressão venosa central isolada). Utilizar elevação passiva das pernas (EPP), variação do volume sistólico ou ecocardiografia para avaliar responsividade a fluidos.
- Metas: evitar sobrecarga hídrica, que está associada a pior desfecho (maior tempo de ventilação mecânica, lesão renal).
6.3 Vasopressores e Metas Hemodinâmicas
- Primeira linha: noradrenalina (norepinefrina). Pode ser iniciada por via periférica (veias proximais) enquanto se aguarda acesso venoso central.
- Meta de PAM: ≥65 mmHg (recomendação forte).
- Nuance: em pacientes idosos (≥65 anos), podese considerar PAM entre 60–65 mmHg (hipotensão permissiva) para reduzir toxicidade por catecolaminas.
- Segunda linha: adicionar vasopressina quando a dose de noradrenalina atinge 0,25–0,5 µg/kg/min, visando reduzir a carga adrenérgica.
- Terceira linha: epinefrina (adrenalina) reservada para choque refratário ou disfunção cardíaca persistente.
- Inotrópicos: considerar dobutamina se houver disfunção miocárdica com hipoperfusão persistente e débito cardíaco baixo.
6.4 Suporte Ventilatório
- Oxigenoterapia: alvo de SpO₂ 94–98%; em pacientes com risco de hipercapnia, podese usar 88–92%.
- Cânula nasal de alto fluxo (CNAF): sugerida em vez de ventilação não invasiva (VNI) para pacientes com insuficiência respiratória hipoxêmica induzida por sepse.
- Estratégia protetora para SDRA: se o paciente desenvolver síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), usar volume corrente de 6 mL/kg (peso predito) e pressão de platô <30 cmH₂O. Recomendado o decúbito prone se PaO₂/FiO₂ <150, por mais de 12 horas/dia.
6.5 Terapias Adjuvantes
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Intervenção |
Recomendação |
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Corticosteroides |
Hidrocortisona IV 200 mg/dia (em esquema contínuo ou fracionado) se choque séptico refratário: necessidade de noradrenalina ≥0,25 µg/kg/min por ≥4 horas para manter PAM alvo. |
|
Controle glicêmico |
Iniciar insulina se glicemia ≥180 mg/dL; alvo entre 144–180 mg/dL (evitar hipoglicemia). |
|
Profilaxia de TEV |
Preferir heparina de baixo peso molecular (HBPM) em vez de heparina não fracionada. |
|
Profilaxia de úlcera de estresse |
Indicada em pacientes com fatores de risco para sangramento gastrointestinal (ex.: coagulopatia, ventilação mecânica >48h). |
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Bicarbonato de sódio |
Sugerido em choque séptico com acidose metabólica grave (pH ≤7,2) e lesão renal aguda (AKIN 2 ou 3). |
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Transfusão de hemácias |
Estratégia restritiva: gatilho de <7 g/dL na maioria dos pacientes (recomendação forte). |
|
Vitamina C |
Recomendação fraca contra o uso rotineiro (ensaios LOVIT e CITRISALI não mostraram benefício). |
6.6 Recomendações Negativas Importantes
- Não usar qSOFA como ferramenta única de triagem.
- Não usar parâmetros estáticos (PVC) isolados para guiar reposição volêmica.
- Não iniciar antibióticos baseado apenas em procalcitonina.
- Não usar vitamina C intravenosa rotineiramente.
- Não usar terlipressina (risco de isquemia digital).
7. Evolução para a Medicina de Precisão: Além dos Bundles
A padronização por bundles atingiu um platô de eficácia. A heterogeneidade biológica dos pacientes exige uma abordagem mais personalizada, baseada em endótipos e trajetórias biológicas.
7.1 Modelo da Tríade: Imune, Endotelial e Coagulação
A sepse representa a falha simultânea de três sistemas interconectados. Identificar o fenótipo predominante permite terapias direcionadas.
7.2 Endótipos e Trajetórias Biológicas
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Endótipo |
Características |
Implicação terapêutica |
|
Imunoparalisia |
Baixa expressão de mHLA-DR; falha na recuperação entre dias 3–5; alto risco de infecções secundárias |
Candidatos a imunoestimulantes (GMCSF, IL7) em estudos clínicos |
|
Hiperinflamação |
Citocinas elevadas, febre persistente |
Podem se beneficiar de modulação antiinflamatória (ainda em investigação) |
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Endotelial |
Shedding do glicocálix, edema refratário, má distribuição microcirculatória |
Estabilizadores de barreira endotelial, monitorização microcirculatória (OCTA) |
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Metabólico |
Acidose lática persistente, disfunção mitocondrial |
Terapias de suporte metabólico, otimização da oferta de oxigênio |
7.3 Biomarcadores em Evolução
- mHLA-DR (expressão de HLA-DR em monócitos): valor seriado; a não recuperação até o 5º dia identifica pacientes de muito alto risco.
- Procalcitonina e proadrenomedulina (MRproADM): auxiliam no diagnóstico e na duração da antibioticoterapia.
- Tecnologias de imagem microcirculatória: angiografia por tomografia de coerência óptica (OCTA) permite visualização em tempo real da microcirculação retiniana como proxy da circulação sistêmica.
7.4 Fenótipos Clínicos (Seymour et al.)
Estudo com >20.000 pacientes identificou quatro fenótipos com mortalidade distinta:
- α (alfa): menor dose de vasopressores, menor mortalidade (~5%)
- β (beta): idosos, doença renal crônica, mortalidade ~13%
- γ (gama): inflamação e disfunção pulmonar, mortalidade ~24%
- δ (delta): disfunção hepática e choque séptico, mortalidade ~40%
A distribuição desses fenótipos pode influenciar os resultados de ensaios clínicos e, futuramente, guiar a alocação de terapias específicas.
8. Prognóstico e Cuidados PósAlta
8.1 Mortalidade
- Mortalidade intrahospitalar global: 10–52%, dependendo da população e critérios.
- Sepse (SOFA ≥2): ≥10%
- Choque séptico: ≥40%
- A mortalidade tem diminuído nas últimas décadas (ex.: Austrália/Nova Zelândia, de 35% em 2000 para 18% em 2012).
8.2 Consequências a Longo Prazo
- Mortalidade pósalta: até 20% no primeiro ano, mantendose elevada por dois anos.
- Reinternações: cerca de 10% dos sobreviventes são readmitidos em 90 dias (principalmente por infecções, insuficiência cardíaca, DPOC).
- Eventos cardiovasculares: aumento do risco de infarto e acidente vascular cerebral.
- Síndrome PósCuidados Intensivos (PICS): sequelas físicas, cognitivas e emocionais (fraqueza muscular, déficit de memória, depressão, ansiedade).
8.3 Planejamento de Alta e Reabilitação
- Reconciliação medicamentosa rigorosa.
- Triagem para necessidades socioeconômicas e espirituais.
- Encaminhamento para reabilitação se ventilação mecânica >48 horas ou internação em UTI >72 horas.
- Acompanhamento ambulatorial com equipe especializada em sequelas de cuidados críticos.
9. Checklist do Plantonista: Manejo da Sepse
- Diagnóstico e foco
- Identificar foco anatômico (exames de imagem, exame físico).
- Remover cateteres suspeitos imediatamente.
- Culturas e lactato
- Coletar antes do antibiótico (pelo menos duas hemoculturas, culturas de sítios pertinentes).
- Mensurar lactato sérico; interpretar com cautela clínica.
- Antibioticoterapia PK/PD
- Administrar dose de ataque e considerar infusão prolongada (betalactâmicos).
- Avaliar risco de MRSA, Pseudomonas e Candida.
- Iniciar dentro de 1 hora no choque séptico; em até 3 horas nos demais casos.
- Ressuscitação volêmica
- 30 mL/kg de cristaloide balanceado nas primeiras 3 horas.
- Considerar albumina 20% se grandes volumes.
- Reavaliar com métodos dinâmicos (EPP, ecocardiografia) para evitar sobrecarga.
- Suporte vasoativo precoce
- Noradrenalina para PAM ≥65 mmHg (ou 60–65 mmHg em idosos).
- Adicionar vasopressina se noradrenalina >0,25 µg/kg/min.
- Reavaliação dinâmica
- Ecocardiografia à beira do leito (altera conduta em até 50% dos pacientes).
- Monitorar resposta à fluidoterapia e à terapia vasopressora.
- Desescalonamento e suporte
- Reavaliar diariamente a necessidade de antibióticos; usar procalcitonina para guiar suspensão.
- Corticoides se choque refratário.
- Controle glicêmico rigoroso.
- Profilaxia de TEV e úlcera de estresse quando indicada.
10. Referências e Leituras Recomendadas
- Evans L, Rhodes A, Alhazzani W, et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2021. Intensive Care Med. 2021;47(11):11811247.
- Singer M, Deutschman CS, Seymour CW, et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis3). JAMA. 2016;315(8):801810.
- Rudd KE, Johnson SC, Agesa KM, et al. Global, regional, and national sepsis incidence and mortality, 19902017: analysis for the Global Burden of Disease Study. Lancet. 2020;395(10219):200211.
- Seymour CW, Kennedy JN, Wang S, et al. Derivation, Validation, and Potential Treatment Implications of Novel Clinical Phenotypes for Sepsis. JAMA. 2019;321(20):20032017.
